BLOGUE ENCERRADO A 31 DE MAIO DE 2011
MANIFESTO
O que em filosofia política se chama «ideário», em poesia só pode chamar-se «escola».
Se podemos falar de uma «renascença portuguesa» é porque Portugal existe.
A identidade de uma pátria alicerça-se num conjunto de específicos, de traços culturais únicos, de um perfil étnico.
A poesia que assume ser a voz de uma nação é um clarim solitário.
Nem queremos saber dos vossos gozos e das vossas dores se não forem Portugal. Enviem para França os chiliques, o boudoir, as cartas perfumadas. Enviem a quem pertença tudo o que é verme neste chão.
Estes que se adiantam, que esporeiam as montadas e erguem o rosto impoluto diante do que ainda não é, chamamos-lhes poetas, vates, profetas, doidos, proscritos – o que quiserem. Por eles falam as pátrias, as eras que a História não guardou.
Do meu lado estão os bardos dos Lusitanos, mesmo que me digam que não existiram.
Toda a poesia, toda a palavra, o gesto sequer, o olhar, que não se erguer do sangue singular desta Pátria dos Portugueses Ibéricos – é lixo e aqui não pertence.
Os poetas são as antenas da raça.
Lord of Erewhon
«Artists are the antennae of the race but the bullet-headed many will never learn to trust their great artists.»
Ezra Pound
Terça-feira, 31 de Maio de 2011
Domingo, 29 de Maio de 2011
PAISAGEM DO PORTUGAL PRÓ-FUNDO
Retrato do Génio enquanto Ébrio - Hotel du Manoir (Montreal), Vitor Vicente, Abril de 2011
Se neste mundo havia um paraíso, era ali. Melhor do que a América, melhor do que o Brasil, melhor...À falta de comparação apontava inseguro para a porta, acompanhando o gesto com uma descara de "Filhos da puta!", logo a retomar que a Holanda era cem vezes melhor do que a Suiça, cem vezes melhor do que a Alemanha, mil vezes melhor do que o Luxemburgo.
Riram bem-humorados, aperreando-o de que mentia. Não tinha nem pés nem cabeça dizer o contrário, porque volta e meia a televisão mostrava coisas sobre a droga e lá vinham sempre os holandeses. Até havia lojas. Então Amsterdão era o fim do mundo, viam-se os drogados caídos nos passeiros, nos portais, na estação.
Publicado por Vitor Vicente , Clepsidra 21:52 0 Flechas
Runas: * Vitor Vicente, Amsterdão, Diáspora Portuguesa, Fotografia, Holanda, J. Rentes de Carvalho, Literatura Portuguesa, Montreal, Prosa, Van Gogh
Sexta-feira, 20 de Maio de 2011
KATE BUSH – The Sensual World (1989)
Publicado por The Poisonous I , Clepsidra 23:43 0 Flechas
Runas: * The Poisonous I, Kate Bush, Música Britânica
Quinta-feira, 19 de Maio de 2011
PORTUGUÊS E VAGAMUNDO, A Heteronomia dos Poliglotas
Não me considero – nem de perto, nem de longe – poliglota. Falo português de Diáspora, espanhol catalanizado e easyenglish. Por isso, não posso arrogar o estatuto de poliglota – pois para mim poliglota é aquele que, no mínimo, pode contar os domínios de idiomas pelos dedos das mãos e conversar em todas elas com o à-vontade de quem fala pelos cotovelos.
Enquanto pequeno poliglota, é-me permitida alguma – uma mínima - heteronomia. Dou por mim a pensar (a delirar) em português de Diáspora, a lidar com a língua (numa palavra, a dialogar) com o quotidiano em easyenglish e, de vez em quando, a falar espanhol catalanizado com as súbitas aparições de um passado que, para atestar a importância, teima em estar presente.
Seja em que idioma for, é mais facto que fantasia que todas essas heteronomias mais não são que variações – e assim sendo, afirmações da unidade – Vitor Vicente. Vale o mesmo para os períodos do tempo em que estou calado – o mesmo que dizer quando estou exilado na Pátria do Pensamento.
Vitor Vicente
Publicado por Vitor Vicente , Clepsidra 22:47 2 Flechas
Runas: * Vitor Vicente, Crónica, Diáspora Portuguesa, Literatura de Viagens, Literatura Portuguesa, «Português e Vagamundo»
Quarta-feira, 18 de Maio de 2011
LOUCO, IMODERADO ARREBATADO INFAME
Louco, imoderado arrebatado infame
Publicado por jawaa , Clepsidra 17:29 0 Flechas
Runas: * Jawaa, Fotografia, Literatura Portuguesa, Poesia
Terça-feira, 17 de Maio de 2011
ILUSÃO YANKEE
The Phantom of the Opera - Majestic Theatre/Broadway, Vitor Vicente, 11 de Abril de 2011
sequência efervescente, cintilantes,
sentimo-nos célebres por pertencer
à ambulante nuvem de anonimato
que alimenta e cobre a grande cidade.
Não somos ninguém,
nunca deixaremos de ser ninguém
enquanto nada nos for vedado.
No final, ao cair do pano,
a metrópole fez-nos um filho,
o fastio.
Vitor Vicente
Publicado por Vitor Vicente , Clepsidra 00:02 0 Flechas
Runas: * Vitor Vicente, Estados Unidos da América, Fotografia, Literatura Portuguesa, Nova Iorque, Poesia
Segunda-feira, 16 de Maio de 2011
A NOITE E O RISO, Uma Sessão De Guitarra
Publicado por Vítor Mácula , Clepsidra 01:56 0 Flechas
Runas: * Vitor Mácula, Cinema Francês, Crónica, Cyril Collard, «A Noite e o Riso»
Domingo, 15 de Maio de 2011
THE BLACK LAMB BY LADY WILDE

Cliffs of Moher - County Clare, Vitor Vicente, 27 de Março de 2011
It is a custom amongst the people, when throwing away water at night, to cry out in a loud voice, "Take care of the water"; or literally, from the Irish, "Away with yourself from the water"--for they say that the spirits of the dead last buried are then wandering about, and it would be dangerous if the water fell on them.
One dark night a woman suddenly threw out a pail of boiling water without thinking of the warning words. Instantly a cry was heard, as of a person in pain, but no one was seen. However, the next night a black lamb entered the house, having the back all fresh scalded, and it lay down moaning by the hearth and died. Then they all knew that this was the spirit that had been scalded by the woman, and they carried the dead lamb out reverently, and buried it deep in the earth. Yet every night at the same hour it walked again into the house, and lay down, moaned, and died; and after this had happened many times, the priest was sent for, and finally, by the strength of his exorcism, the spirit of the dead was laid to rest; the black lamb appeared no more. Neither was the body of the dead lamb found in the grave when they searched for it, though it had been laid by their own hands deep in the earth, and covered with clay.
The Book of Fairy & Folk Tales of Ireland, Compiled by W.B. Yeats, Bounty Books, Londres, 2004
Publicado por Vitor Vicente , Clepsidra 17:56 0 Flechas
Runas: * Vitor Vicente, Cliffs of Moher, Cultura Céltica, Fotografia, Irlanda, Lady Wilde, Literatura Irlandesa, W. B. Yeats
Sábado, 14 de Maio de 2011
PERSONAS SEXUAIS
Publicado por Antígona , Clepsidra 22:55 0 Flechas
Runas: * Antígona, Camille Paglia, Literatura Norte-Americana
Sexta-feira, 13 de Maio de 2011
THE GIFT – RGB (2011)
Publicado por Antígona , Clepsidra 12:03 0 Flechas
Runas: * Antígona, Música Portuguesa, The Gift
Quinta-feira, 12 de Maio de 2011
SIX DRUMMERS – Music For One Apartment (2008)
Publicado por Antígona , Clepsidra 21:56 0 Flechas
Runas: * Antígona, Música Sueca, Six Drummers
Quarta-feira, 11 de Maio de 2011
MONTRUGAL
Publicado por Vitor Vicente , Clepsidra 23:15 2 Flechas
Runas: * Vitor Vicente, Aforismos Lusófonos, Diáspora Portuguesa, Fotografia, Homenagens, Montreal
Terça-feira, 10 de Maio de 2011
ATLANTIHDA – Na Calma dos Teus Olhos (2011)
Publicado por Antígona , Clepsidra 22:07 0 Flechas
Runas: * Antígona, Atlantihda, Música Portuguesa
Domingo, 8 de Maio de 2011
À ATENÇÃO DAS MEMÓRIAS DE PASSARINHO
Vídeo exibido nas Conferências do Estoril 2011
Respectiva resposta
Publicado por Vitor Vicente , Clepsidra 22:31 0 Flechas
Runas: * Vitor Vicente, Economia, Finlândia, FMI, História da Finlândia, História de Portugal
Sábado, 7 de Maio de 2011
Sexta-feira, 6 de Maio de 2011
O SILÊNCIO DAS PALAVRAS, Escravos-libertos
Publicado por jawaa , Clepsidra 14:14 0 Flechas
Runas: * Jawaa, Crónica, Literatura Portuguesa, «O Silêncio das Palavras»
Quinta-feira, 5 de Maio de 2011
PORTUGUÊS E VAGAMUNDO, O Menu de Montreal
Se em Nova Iorque não me contive nas comprinhas para cobrir (ou ornamentar) o corpo (leia-se Levi`s, Hugo Boss, Ralphs Lauren, Lacoste, Guess e a inevitável Calvin Klein), então em Montreal foi mais culinária.
Para começar, o belo do bitoque, acompanhado de uma enxurrada de batatas fritas e um ovo a cavalo. Isto enquanto o FC Porto facturava em Moscovo.
No dia seguinte, ao almoço e na comunidade judaica, comi a melhor sandwich de que o meu exigente estômago guarda memória. Devorei-a em três tempos; tudo o que lembro é o frango grelhado, pickles e um molho de chorar por não haver mais.
Nesse mesmo dia, e para terminar, foi um festim de frango, debaixo de uma tempestade de batatas fritas e uma salada lusitana. Como sobremesa, pedi um par de pastéis de nata. Contudo, levei-os como take away. É que no restaurante português tocava música pimba.
Em jeito de digestão, digamos que foi um bom teste aos meus limites de tolerância para com a Pátria. A tanto se sujeita um tipo em troca de algo que apenas lhe apetece.
Vitor Vicente
Publicado por Vitor Vicente , Clepsidra 22:48 0 Flechas
Runas: * Vitor Vicente, Crónica, Diáspora Portuguesa, Futebol Clube do Porto, Literatura de Viagens, Literatura Portuguesa, Montreal, Nova Iorque, «Português e Vagamundo»
Quarta-feira, 4 de Maio de 2011
DETERMINAÇÃO
Miguel Torga, pseudónimo de Adolfo Correia Rocha, (São Martinho de Anta, 12 de Agosto de 1907 — Coimbra, 17 de Janeiro de 1995)Publicado por jawaa , Clepsidra 11:50 1 Flechas
Runas: * Jawaa, Homenagens, Literatura Portuguesa, Miguel Torga
Segunda-feira, 2 de Maio de 2011
A NOITE E O RISO, Breves Notas Para Uma Poesia Qualquer
Deseja-se que seja. Mais verdadeiramente: deseja-se o ser.
2. Numa certa poesia diz-se que a intensidade derivada da acção poética é correlata duma intensificação vivencial. Que o poema é fazedor. Que nomear algo (o amor, a infinitude, uma lembrança de sangue e júbilo, um rosto sem fim imaginado, etc) num acto poético será determiná-lo a manifestar-se na vida, a crescer e firmar-se nos dias. A aparecer.
3. Noutra poesia, é como se o mundo estivesse lá-fora e entrasse no cá-dentro, instigando processos de expressão que se definem progressivamente, nomeando o mundo e cada coisa nele.
Deseja-se o poema como voz do mundo existente, uma membrana sensível que no todo envolvente reage oferecendo-lhe voz, expressão, e transformação.
4. Nestoutra poesia, os nomes são setas de armar, fachos de luz que dirigem a acção do poema no mundo.
Na poesia primeira são alvos em chama, um mundo que se gera acolhendo a poesia no mesmo movimento em que esta mesma se cria.
Na poesia segunda, é a poesia que se realiza no atravessamento de mundos não-poéticos; na poesia primeira, são os mundos poéticos que atravessam a vida, realizando esta em formas de rima e ritmo.
5. Tudo isto é rigorosamente moral.
6. E são ambas poesias o mesmo, ou unidade do mesmo; e todas as outras, existentes ou evanescentes, estão igualmente inclusas, e as inexistentes também. Que se diga então: nenhuma delas é anterior ou posterior a nenhuma outra. Sempre presentes e uma quando aparecem, sempre inexistentes e nenhuma quando não.
7. Diria que a poesia é a característica de inactualidade do tempo. A poesia inexiste no seu próprio dizer: é sempre outra coisa que está em jogo, como diz o povo. E é precisamente nessa inexistência, nesse ser que nunca se dá e continuamente se escapa, que a poesia insiste em nós desde os fins dos tempos e dos lugares como uma fome sem nome.
8. Noutra perspectiva: históricamente, a poesia segunda antecedeu a primeira. Decorre daqui que o mundo aconteceu no humano, e só depois este no mundo; e aqui somos forçados a constatar que a inversa também é verdadeira: não há mundo sem palavra , sem relação, sem garganta ou coração e entranhas que lhe dêem forma e significado.
9. Na poesia segunda, a palavra não precisa de ocorrer fora da linguagem. Na primeira, a linguagem não pode ocorrer fora do mundo. E nessa negação de si que reside em ambas, está o ponto em que ambas se cruzam e refulgem.
10. As outras poesias estão em ocorrência, fora deste texto, assim como nele.
11. A escrita poética é um efeito da poesia, não a sua acção própria, e muito menos a sua finalidade. Melhor dizendo, os poemas são as pegadas da caminhada, mas não o seu sentido.
12. Amanhã o poema voltou, o leitor só terá que aguardar ontem.
Publicado por Vítor Mácula , Clepsidra 00:18 0 Flechas
Runas: * Vitor Mácula, Crónica, Poesia, «A Noite e o Riso»
Domingo, 1 de Maio de 2011
A PÁTRIA É ONDE ENCONTRAMOS PAZ

Memorial de Jonathan Swift, Jardim da Catedral de Dublin
Jonathan Swift, Gulliver`s Travels, Crw Publishing, Londres, 2004
Publicado por Vitor Vicente , Clepsidra 22:08 0 Flechas
Runas: * Vitor Vicente, Dublin, Jonathan Swift, Literatura de Viagens, Literatura Irlandesa, Prosa Satírica
