MANIFESTO


O que em filosofia política se chama «ideário», em poesia só pode chamar-se «escola».

Se podemos falar de uma «renascença portuguesa» é porque Portugal existe.

A identidade de uma pátria alicerça-se num conjunto de específicos, de traços culturais únicos, de um perfil étnico.

A poesia que assume ser a voz de uma nação é um clarim solitário.

Nem queremos saber dos vossos gozos e das vossas dores se não forem Portugal. Enviem para França os chiliques, o boudoir, as cartas perfumadas. Enviem a quem pertença tudo o que é verme neste chão.

Estes que se adiantam, que esporeiam as montadas e erguem o rosto impoluto diante do que ainda não é, chamamos-lhes poetas, vates, profetas, doidos, proscritos – o que quiserem. Por eles falam as pátrias, as eras que a História não guardou.

Do meu lado estão os bardos dos Lusitanos, mesmo que me digam que não existiram.

Toda a poesia, toda a palavra, o gesto sequer, o olhar, que não se erguer do sangue singular desta Pátria dos Portugueses Ibéricos – é lixo e aqui não pertence.

Os poetas são as antenas da raça.


Lord of Erewhon



«Artists are the antennae of the race but the bullet-headed many will never learn to trust their great artists.»

Ezra Pound


Quinta-feira, 5 de Maio de 2011

PORTUGUÊS E VAGAMUNDO, O Menu de Montreal



Se em Nova Iorque não me contive nas comprinhas para cobrir (ou ornamentar) o corpo (leia-se Levi`s, Hugo Boss, Ralphs Lauren, Lacoste, Guess e a inevitável Calvin Klein), então em Montreal foi mais culinária.
Para começar, o belo do bitoque, acompanhado de uma enxurrada de batatas fritas e um ovo a cavalo. Isto enquanto o FC Porto facturava em Moscovo.
No dia seguinte, ao almoço e na comunidade judaica, comi a melhor sandwich de que o meu exigente estômago guarda memória. Devorei-a em três tempos; tudo o que lembro é o frango grelhado, pickles e um molho de chorar por não haver mais.
Nesse mesmo dia, e para terminar, foi um festim de frango, debaixo de uma tempestade de batatas fritas e uma salada lusitana. Como sobremesa, pedi um par de pastéis de nata. Contudo, levei-os como take away. É que no restaurante português tocava música pimba.
Em jeito de digestão, digamos que foi um bom teste aos meus limites de tolerância para com a Pátria. A tanto se sujeita um tipo em troca de algo que apenas lhe apetece.


Vitor Vicente

0 Comments:

Enviar um comentário

Caso esteja interessado/a em aderir a este blog, envie-nos um e-mail.

 

RENASCIMENTO LUSITANO | O BAR DO OSSIAN