Não me considero – nem de perto, nem de longe – poliglota. Falo português de Diáspora, espanhol catalanizado e easyenglish. Por isso, não posso arrogar o estatuto de poliglota – pois para mim poliglota é aquele que, no mínimo, pode contar os domínios de idiomas pelos dedos das mãos e conversar em todas elas com o à-vontade de quem fala pelos cotovelos.
Enquanto pequeno poliglota, é-me permitida alguma – uma mínima - heteronomia. Dou por mim a pensar (a delirar) em português de Diáspora, a lidar com a língua (numa palavra, a dialogar) com o quotidiano em easyenglish e, de vez em quando, a falar espanhol catalanizado com as súbitas aparições de um passado que, para atestar a importância, teima em estar presente.
Seja em que idioma for, é mais facto que fantasia que todas essas heteronomias mais não são que variações – e assim sendo, afirmações da unidade – Vitor Vicente. Vale o mesmo para os períodos do tempo em que estou calado – o mesmo que dizer quando estou exilado na Pátria do Pensamento.
Vitor Vicente
2 Comments:
Gosto da tua escrita fluente e fácil, neste português a que chamas «português de diáspora» e eu não sei se é brasiliano ou angolês ou timorense...
Pois eu achei graça a esta tua ideia de poliglotismo (não sei se o dicionário regista)e quero dizer que também vou no easyenglish, ora o que eu aprendo por aqui!
Para mim, ser poliglota é mais fácil: basta um tipo entender-se nas tais quatro ou cinco que nos possibilitam a volta ao mundo e ter um conhecimento mínimo de uma linguagem gestual capaz de nos dar de comer, ainda que seja preciso estar atento ao sim e não, de cabeça a acenar como e em que sentido.
Um abraço lusitano dos cinco continentes, força aí a segurar as pontas!
Não deixes (não deixemos!)que a crise tome conta do Bar!
Descodificando o Português de Diáspora, diria que é um Português expansionista, atlântico e muito abrasileirado por um par de vezes em Terras de Vera Cruz e estreitas relações com os respectivos nativos.
Quanto ao easyenglish, é o meu manual de sobrevivência na Irlanda (até vir viver para cá, pensava ser fluente).
Por último, o poliglotismo é o privilégio dos que posicionar-se perante o mundo e serem muitos e nunca se perderem em países de ninguém e de nenhures.
Um abraço lusitano e cá estaremos para animar O Bar!
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